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26 de fevereiro de 2010

5 de maio de 2009

Pessoas da nossa vida

É estranho como a morte de pessoas que não conhecemos pessoalmente nos pode entristecer.
Hoje, através de alguns blogs que leio frequentemente, soube que tinha morrido o Vasco Granja. A notícia é dada em vários sítios mas eu ainda não sabia. Pode-se ler aqui e aqui e em muitos outros sítios.
O Vasco Granja faz parte da minha vida, como da vida de muita gente concerteza. Tinha um programa na RTP que acompanhou o meu crescimento. Lembro-me muito bem dele, da voz dele e lembro-me também de que falava muito para explicar aquilo que era a sua paixão. Eu esperava sempre para ver os desenhos animados.
Faz falta um Vasco Granja na vida dos meus filhos.

17 de abril de 2009

conta-me como foi

Tem-me ocorrido ultimamente que quando eu era pequena - e assim, vistas de longe - as coisas tinham outra piada.
Na minha casa, por exemplo, só havia um telefone, fixo, estrategicamente colocado na sala e dava serventia a toda a família de seis elementos.
Na altura falava-se menos ao telefone, bem menos. Acho que os meus filhos não vão nunca poder imaginar como era. Mas era realmente engraçado.
Lá em casa, o nome do filho varão era o do pai (tradição que mantive) e a confusão que isto dava! Lembro-me de ouvir a minha mãe perguntar à mocinha envergonhada "C.? sim, mas o pai ou o filho?", claro que ela sabia que era o filho, mas fazia sempre o mesmo número.
Dos quatro filhos acho que eu fui a que mais usei o aparelho, outros tempos, e além disso era a única menina...
Lembro-me de que quando alguém me telefonava o meu pai (ai os pais) ía imediatamente sentar-se na pontinha do sofá mais perto do telefone. Sempre com um ar muito sério e como se estivesse ocupado com outro assunto qualquer. Nunca se desmanchou e eu nunca o chamei à atenção.
A televisão claro que também era elemento único. Hoje eu tenho... bom algumas cá em casa. Também se via menos televisão, bem menos. Ainda não havia o hábito de a ter sempre ligada, como se de uma companhia se tratasse. Só tinha dois canais, claro, e durante muito tempo foi a preto e branco, todos sabemos. Todos menos os nossos filhos, daaa.
A música. A música também é uma coisa engraçada. Na minha casa havia mais sítios onde ouvir música, e ouvia-se mais, bem mais. Havia sempre um rádio na cozinha, alguns gravadores de cassetes espalhados pela casa mas, o elemento que mais me acompanhou foi a "máquina de bobines" como lhe chamavamos.
A máquina de bobines, uma Uher (cuja imagem mais parecida que consegui encontrar na net é esta. A nossa não era bem assim mas era muito parecida)
começou por ser instrumento de trabalho do meu pai. O gravador portátil da época que de portátil tinha muito pouco, pois pesava que se fartava. Outros tempos, nessa altura as pessoas não sofriam tanto das costas...
A tal máquina acompanhou o crescimento dos quatro filhos, sempre com as mesmas bobines que foram regravadas até à exaustão. Por lá passaram desde os AC/DC até ao Prince passando pelas pirosadas do meu irmão mais velho que eu não consigo lembrar (muito 70's).
Não havia aparelhagem de som, a alta fidelidade. Algumas pessoas tinham mas nós não. Mas, quando alguém ouvia música, toda a gente ouvia. Não havia auscultadores, os ditos headphones. De quando em vez também se ouvia "põe a música mais baixo!".
Hoje não, ouve-se menos música e quando se ouve só dá para um par de ouvidos. Passa nos PCs, MP3 e 4, ipods e outras coisas de som (im)perfeito e pessoal mas vem sempre, sempre pelos headphones.

13 de março de 2009

11 de março de 2009

Memórias

Como diria a Senhora Maria da Costa do Castelo, ontem fui ao "biquinho".
Sempre que telefono a perguntar se há almocinho para a filha a resposta é - "claro, filha, vem já". É inexplicável o sentimento deste lado. Eu vou a correr e, quando lá chego, há sempre qualquer coisa especial à minha espera.
Também trouxe umas coisinhas. Pode não parecer mas este tecido foi comprado em Luanda. Já está enformado em saco pois a pressa era muita.
Este também é de lá ou talvez de São Tomé, já não sei. E mais alguns que hei-de vir trazendo...Os meus pais estiveram uns anos em Luanda e eu ainda lá conseguir ír visitá-los.
Aliás, eu e os meus irmãos nascemos em Luanda. Eu nasci em 1970 e viemos embora em Dezembro desse mesmo ano, tinha eu 6 meses.
Como não conhecia a terra onde nasci, fui visitar os meus pais quando eles lá estavam. Fui em Fevereiro de 1992, antes das eleições. Não consegui ver tudo aquilo que os meus pais me queriam mostrar pois os militares eram mais que muitos e havia barreiras militares por todo o lado; além disso não era seguro. Só cheguei ao chamado Km 17 - onde se podiam comprar muitas peças de artesanato - e à Barra do Kwanza.
De resto, enquanto lá estive, passava os dias na praia da Ilha da Luanda.
Lembro-me de ter chegado ao aeroporto às 8h da manhã e assim que abriram as portas do avião parecia estar a entrar no forno. Era um calor húmido, pesado, muito diferente do nosso. A terra é vermelha e a paisagem não foi de todo a que eu estava à espera.
Não falo nos incontáveis meninos (e graúdos) mutilados ou não, nas quindongueiras que trocavam os dólares por milhões de quanzas, no lixo, enfim, tudo aquilo que sabemos fazer parte deste cenário. Tudo isso eu esperava.
Esperava ver praias com palmeiras e coqueiros e não vi. Em vez disso, a ilha tem pinheiros à beira mar. Esperava um mar azul, mas não é. É parecido com o nosso mas mais quente.
Este restaurante/esplanada na Ilha de Luanda abriu um ou dois dias depois de eu lá chegar. Era explorado por portugueses.
O que me surpreendeu foi o rio (Kwanza), é escuro, forte e denso. Surpreendeu-me a cor dos angolanos (e a eles a minha por certo). Surpreendeu-me toda aquela terra, tão vazia, tão cheia de possibilidades...

Esta foto foi tirada da janela do hotel onde fiquei. Um carro armadilhado que explodiu às primeiras horas do dia.
Foram duas semanas de grandes contrastes para uma europeia, ainda que da cauda da Europa. Não é fácil viver num mundo em que só através da corrupção os mais "pequenos" conseguem sobreviver.
Agora os portugueses voltam a Angola para tentar a sua sorte. Os nossos governantes estiveram reunidos para fomentar isso mesmo. Eu por mim, muito dificilmente conseguiria mas...