Perdoem-me pois hoje reclamei. Pedi o Livro de Reclamações numa livraria cheia de pais impacientes, na fila de espera para os (ainda) livros escolares.
A culpa é deste meu feitio impaciente e inconformado, que faz curto-circuito cada vez que lhe querem vender peixe estragado como se fosse a melhor iguaria do momento.
Fui levantar os livros há muito encomendados para a filha do 3º ano do 1º ciclo. Não tão espantada (confesso que já ía à procura de problemas), verifico que os livros de língua portuguesa não estão em conformidade com o acordo ortográfico. Menciono levemente a questão à funcionária atarefada ao que me responde não fazer ideia (como se fosse aceitável uma funcionária de uma livraria não ter ainda ouvido falar na questão). Insisto, pelo que ela se vê na obrigação de me chamar à atenção para o facto de a minha encomenda não referir expressamente que queria os livros de acordo com o acordo ortográfico… Desculpe? Como? Minha senhora – digo eu num suspiro profundo – encomendei os livros escolares para a minha filha do terceiro ano e os livros de língua portuguesa não estão em conformidade com aquilo que a professora pretende ensinar, pode trocá-los por favor? Encomendei há um mês os livros para este ano lectivo; parti do princípio que me venderiam os livros com o acordo ortográfico em vigor e não o que foi acordado no tempo das nossas avós! Não. - foi a resposta.
Veio a responsável pela secção (uma senhora que já fazia ideia do que eu falava) e mostrou-me o e-mail da editora. Segundo a Resolução do Conselho de Ministros nº 8/2011 de 25 de Janeiro de 2011, as editoras não são obrigadas a fornecer os livros de língua portuguesa do 3º ano (atenção pois isto é diferente para os vários anos e até diferentes disciplinas) impressas de acordo com o AO.
Ou seja: amanhe-se o encarregado de educação, o professor e o aluno! A pobre editora é que não pode ficar no prejuízo. O professor terá de dizer aos seus alunos que está escrito nos livros mas não é bem assim… é mais ou menos; os alunos terão de acreditar no professor e duvidar do compêndio e os pais terão, claro, de pagar por um artigo defeituoso.
A culpa não é da livraria? Talvez não, mas a reclamação ficou lá na mesma. Agora vou ali reclamar com a editora e de seguida com o Ministério.
“A língua portuguesa é um elemento essencial do património cultural português.” Assim começa a referida resolução. Pelo menos nisto estamos todos de acordo. Ou não?
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27 de setembro de 2011
13 de setembro de 2011
regresso às aulas
o ano escolar começa recheado de ácidos salpicos. bastaram as primeiras reuniões de pais para toda a frescura do Verão se evaporar
assumidamente, deito a língua de fora a quem diz (e escreve) que as escolas públicas são fantásticas! serão algumas - poucas -, e cada vez me convenço mais que a geografia é mesmo um factor importante. esteja relacionada com os grandes centros urbanos, interioridade ou influência da área de habitação, a verdade é que as escolas públicas portuguesas são muito diferentes entre si. há filhos e enteados, atrevo-me a afirmar.
por aqui, começamos com cortes onde achavamos que já não era possível cortar: redução dos horários das auxiliares, cortes nas verbas disponibilizadas, cortes nas viagens de estudo (o plural é mesmo uma maneira de dizer, pois a Junta de Freguesia apenas patrocinava uma deslocação por ano).
por outro lado, as dúvidas e incertezas não obedecem a este clima de contenção! não sabemos ainda se vamos ter funcionária que garanta o prolongamento do jardim infantil, sendo que o horário com que podemos contar é mesmo o das 9h às 15h 30 (se conhecerem algum emprego com este horário, por favor enviem-me um e-mail); nem se estes nossos filhos mais pequenos poderão continuar a aprendizagem da música e da natação, pelos vistos são matérias complementares, dispensáveis à formação das crianças.
a comunicação destas questões é deixada aos professores e a resolução dos problemas é deixada aos pais e encarregados de educação; o bicho papão, aquele grande e gordo do Agrupamento não deu a cara, talvez porque não a tenha mesmo! ficamos novamente a pensar porque o alimentamos e permitimos a sua existência...
no ano lectivo anterior, todos os pais (uns mais do que outros, claro está) se juntaram e melhoraram esta escola. este ano tem todas as salas pintadas, inclusivé os exteriores, muros e gradeamentos, tem mais um contentor-sala (sim, a minha filha tem aulas dentro de um contentor, que já existem preparados para este efeito) que permitiu que uma das salas fosse destinada apenas a servir de refeitório (que não havia), tem as janelas arranjadas e mais alguns pormenores.
todas estas obras foram possíveis, graças a um grupo de pais que mobilizou toda a comunidade, organizou festas e outras actividades para a angariação de fundos.
este ano teremos de nos organizar para manter tudo isto pois as verbas disponibilizadas mal chegam para o inevitável papel higiénico!
aqui faltam, acima de tudo, recursos humanos. Não é possível trabalhar e ter filhos se os horários do pré-escolar forem iguais aos horários das educadoras. Não é possível ficar tranquila, quando sei que há apenas uma funcionária para vigiar o recreio de 100 crianças, por muito boa e experiente que seja!
e como vai ser este ano? Como vair ser daqui para a frente? São os pais que têm de resolver o problema das escolas? Fazem sentido estas uniões de pais?
que o vosso regresso às aulas seja mais tranquilo do que o meu!
agora vou ali enganar o meu espírito, vestir o meu manto da tranquilidade para beijar os meus filhos e deixá-los na escola.
assumidamente, deito a língua de fora a quem diz (e escreve) que as escolas públicas são fantásticas! serão algumas - poucas -, e cada vez me convenço mais que a geografia é mesmo um factor importante. esteja relacionada com os grandes centros urbanos, interioridade ou influência da área de habitação, a verdade é que as escolas públicas portuguesas são muito diferentes entre si. há filhos e enteados, atrevo-me a afirmar.
por aqui, começamos com cortes onde achavamos que já não era possível cortar: redução dos horários das auxiliares, cortes nas verbas disponibilizadas, cortes nas viagens de estudo (o plural é mesmo uma maneira de dizer, pois a Junta de Freguesia apenas patrocinava uma deslocação por ano).
por outro lado, as dúvidas e incertezas não obedecem a este clima de contenção! não sabemos ainda se vamos ter funcionária que garanta o prolongamento do jardim infantil, sendo que o horário com que podemos contar é mesmo o das 9h às 15h 30 (se conhecerem algum emprego com este horário, por favor enviem-me um e-mail); nem se estes nossos filhos mais pequenos poderão continuar a aprendizagem da música e da natação, pelos vistos são matérias complementares, dispensáveis à formação das crianças.
a comunicação destas questões é deixada aos professores e a resolução dos problemas é deixada aos pais e encarregados de educação; o bicho papão, aquele grande e gordo do Agrupamento não deu a cara, talvez porque não a tenha mesmo! ficamos novamente a pensar porque o alimentamos e permitimos a sua existência...
no ano lectivo anterior, todos os pais (uns mais do que outros, claro está) se juntaram e melhoraram esta escola. este ano tem todas as salas pintadas, inclusivé os exteriores, muros e gradeamentos, tem mais um contentor-sala (sim, a minha filha tem aulas dentro de um contentor, que já existem preparados para este efeito) que permitiu que uma das salas fosse destinada apenas a servir de refeitório (que não havia), tem as janelas arranjadas e mais alguns pormenores.
todas estas obras foram possíveis, graças a um grupo de pais que mobilizou toda a comunidade, organizou festas e outras actividades para a angariação de fundos.
este ano teremos de nos organizar para manter tudo isto pois as verbas disponibilizadas mal chegam para o inevitável papel higiénico!
aqui faltam, acima de tudo, recursos humanos. Não é possível trabalhar e ter filhos se os horários do pré-escolar forem iguais aos horários das educadoras. Não é possível ficar tranquila, quando sei que há apenas uma funcionária para vigiar o recreio de 100 crianças, por muito boa e experiente que seja!
e como vai ser este ano? Como vair ser daqui para a frente? São os pais que têm de resolver o problema das escolas? Fazem sentido estas uniões de pais?
que o vosso regresso às aulas seja mais tranquilo do que o meu!
agora vou ali enganar o meu espírito, vestir o meu manto da tranquilidade para beijar os meus filhos e deixá-los na escola.
8 de abril de 2011
Quem é o Estado?
Afinal de contas quem é o Estado?
Estou cansada do espírito "quem não está bem muda-se" ou "quem tem pressa vai andando".
Costumo ír à praça, sim bem sei que é um privilégio. Como dizia, gosto de ír à praça, gosto de comprar os meus legumes na mesma senhora de sempre, gosto que seja ela a escolher o que vou por na sopa da família, "não leve os agriões, leve antes os espinafres que são meus, fazem melhor aos meninos" manda-me ela e eu obedeço descansada. Gosto de dar dois dedos de conversa com a senhora do pão, gosto dos senhores do talho e até já me habituei ao mau humor do peixeiro (desde que não me lembre de perguntar se tem jaquinzinhos daqueles mesmo pequeninos, tá tudo certo! pois se é proibido! quererei eu que ele vá preso só para eu ter o prazer de me deliciar com tão minúscula iguaria?)
O que eu não gosto é da falta de respeito, falta de planeamento, falta de profissionalismo e até da falta de humanidade desta pessoa que é o Estado!
Pois ao que parece veio a Junta e mandou fechar o mercado. É preciso reparar o telhado, decretou a ASAE. E assim se fez. Ainda sugeriu o Estado que os donos das bancas aproveitassem e ficassem em casa, afinal a obra deveria fazer-se no prazo de um mês, o de Março. Sabemos agora que o mês talvez até esteja certo mas o ano não foi indicado e, apesar de assumido pelas partes interessadas como sendo o presente, talvez não seja. Resultado? A praça está fechada, os donos das bancas (mas apenas aqueles que tiveram essa possibilidade) juntaram-se, alugaram uma tenda (como aquelas dos casamentos) e têm estado sem quaisquer condições de trabalho, saúde e higiene pública a tentar obter o cobro mensal, à custa de muita suadeira na dita tenda, de muito legume precocemente amadurecido, pão seco, peixe que já não é fresco e carne com mais bactérias do que o Séc XXI pode suportar! E as obras perguntar-me-ão... pois nem ve-las! Nem ainda começaram e já estamos em Abril!
Será, Senhor Estado, que estas pessoas vão passar os únicos 2 meses do ano em que conseguem sair do vermelho financeiro, enfiados na sauna? Qual das suas 8 cabeças engendrou tal plano?
Afinal quem é o Estado? Não serão pessoas que trabalham nas câmaras e juntas de freguesia? Não serão pessoas como eu e os donos das bancas da praça? Não darão eles valor aos seus ordenados no final do mês? Não são pessoas que trabalham para pessoas?
Parece-me a mim que o Estado tem de deixar de ser este monstro sem cara para que comece a ser produtivo e eficaz. Se tivesse uma cara eu já a teria olhado e feito a pergunta olhos nos olhos mas, como não tem, sei que se quizesse saber iria andar de departamento em departamento, à procura do génio que tomou esta decisão. Sei também que não iria encontrá-lo pois sei que estas coisas são como as bolas de neve, vão crescendo pelo caminho...
Se o Estado tivesse cara eu aproveita e perguntava-lhe também porque razão os meus filhos têm aula de natação sempre a seguir ao almoço? Nesse dia têm de comer pouco, dizem-me as professoras. Aqueles que não conseguem comer pouco ou que não conseguem comer tão rápido quanto os outros, acompanham os colegas, calçam os chinelos mas ficam no banco a assistir. E porquê pergunto eu? Porque não pode ser noutro horário? Porque é o horário que temos respondem-me. E quando as minhas perguntas são demais a resposta que tenho é "mas a natação não é obrigatória mãe, pode vir buscar os seus meninos". É assim?
No caso da praça ganha o hipermercado mais próximo, claro! No caso da escola quem ganha? O país?
Quem não está bem muda-se. E o Estado não me parece mesmo uma pessoa de bem!
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10 de setembro de 2009
Regresso à aulas I
Esta semana já tive: uma reunião para dar as notas e trabalhos da miúda do meio que tinha ficado adiada do fim do ano para agora; uma reunião de pais para apresentação da escola da miúda mais velha; uma deslocação à mesma escola, mas noutro dia e noutro horário para compra dos livros escolares da mesma filha; uma deslocação à nova escola da miúda do meio, para conhecer a nova professora, os projectos para este novo ano e o plano de contingência da escola para a gripe A (aqui não vou nem comentar...).
Amanhã a miúda mais velha começa na nova escola, mas só até ao meio dia. Depois disso temos de ír comprar o material escolar que será indicado da parte da manhã.
Fico a imaginar como seria se não estivesse desempregada...
Amanhã a miúda mais velha começa na nova escola, mas só até ao meio dia. Depois disso temos de ír comprar o material escolar que será indicado da parte da manhã.
Fico a imaginar como seria se não estivesse desempregada...
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20 de maio de 2009
Um pouco de algumas coisas
O dia não começou muito bem mas também cedo se endireitou.
Fui buscar reforços para a mantinha de crochet e acabei por fazer novas comprinhas...
As compras foram na Ericeira que já está a preparar-se para mais um Verão em cheio. Pintam-se paredes, abrem-se novas lojas, renovam-se as antigas.
É impressionante ver como algumas terras crescem. A Ericeira tem crescido muito. O centro contínua com graça e deve ser um privilégio morar ali. Os arredores têm crescido como tudo o que é periférico: mal! Muito prédio, muito alto.
Já ao pé de mim, em Santa Cruz, não se acompanha este ritmo. Se no Verão não se pode ír ao centro, nem à praça, nem ao café, no Inverno está tudo deserto. Em Santa Cruz a maioria das lojas só abre para o Verão.
E hoje é dia de Prova de Aferição de Matemática. De certeza que não vai correr tão bem como a de Português. Os problemas com a matemática começam a notar-se no 4º ano, ano de contas de dividir e números com vírgulas...
18 de maio de 2009
Fim de uma início de outra (semana)
Entretanto, hoje é dia de Prova de Aferição de Português do 4º Ano. A semana começa com ar de coisa diferente, pelo que a filha mais velha em vez de nervosa ía animada! Afinal de contas a avaliada nem é ela.
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