todas as lãs que fio, faço-o na roda e o fuso fica sempre para trás. não é que não goste, não é que não seja agradável; é assim, apenas.
mas desta vez vou praticar o que prego e fazer um fio para um projecto: um fio vermelho e rosa (cores muito fora da minha zona de conforto) em merino e seda muito fino para ser um 3ply, redondinho e robusto para umas meias.
Depois de tanto tempo sem dar novidades - o Verão (e a Primavera) tem destas coisas... - aqui recomeçam elas!
A convite da Alice, no próximo Domingo dia 28 vou estar na Festa do Outono de Serralves.
No âmbito do Saber Fazer, trabalho que tanto admiro, vou estar com a Tita Costa e a Guida Fonseca a ilustrar um pouco do mundo têxtil artesanal dos nossos dias. Apareçam! Vão ter muito para ver, experimentar, ouvir, perguntar e contar.
foi a segunda vez que fiei para mim. ao meu gosto, com a espessura que precisava e com um projecto em mente.
gosto muito, mesmo muito do resultado. só por si, já é um projecto, de tantas horas de trabalho e dedicação exclusiva que estes fios têm.
são muitos metros de um fio cuja cor não consigo aqui reproduzir com exactidão, muito macio, arejado e com a elasticidade apropriada para tricotar este modelo.
a lareira já está acesa. é Novembro e o frio finalmente chegou.
uma das perguntas que mais se repete nas AULAS DE
FIAÇÃO é: como consigo fiar um fio fino e uniforme e que não fique
muito torcido?
e a minha resposta é sempre: fazendo aquilo que em inglês
se chama um pre drafting, ou seja, esticando um pouco as fibras antes
de as fiarmos.
começo por separar a mecha no sentido do comprimento
e depois passo-a pelo furinho de um botão.
o tamanho do furo do botão vai determinar a espessura final do meu fio
quanto mais pequenino for mais fina será a minha lã.
depois é só fiar!
esta técnica também é óptima para juntar várias cores
e, querendo uma lã mais grossa, é só arranjar um botão com furos maiores ou
furar uma tampa de plástico com o diâmetro que queremos.
vestir uma peça de roupa tricotada por nós é muito bom
mas
e tricotar com lã fiada por nós?
este casaco está a ser tricotado com um fio a que chamei shetlandeira: uma mistura de shetland com seda e bordaleira da serra da estrela. a bordaleira foi lavada, aberta e cardada por mim, o que a torna ainda mais minha.
gosto de guardar restinhos dos fios que vou fiando. uso-os para várias coisas: atar as encomendas, pendurar as etiquetas, etc.
mas comecei a reparar que o aproveitamento não estava a ser total.
estas duas meadas foram feitas com restos de outros fios.
têm um pouco de tudo o que tenho fiado. numa reuni todos os restos de azuis e noutra juntei os laranjas com os castanhos.
têm também uma grande variedade de fibras, merino, shetland, blue faced leicester, seda, bordaleira e diferentes torções.
não estão obviamente à venda, pois não apresentam uma qualidade que eu considere que possa ser vendida, mas vão certamente ser tricotadas por mim. talvez para meias; ando com vontade de fazer meias. confesso que não são as peças que eu prefiro tricotar, mas como adoro usá-las, faço o sacrificio.
estas estão quase a acabar, de seguida monto malhas para estas meadas.
aqui está uma, pronta a enviar para o seu destino.
depois desta meada inicial
seguiram-se mais 3 para fazer uma peça maior (que eu gostava muito de ver tricotada)
um fio shetland com um pouco de merino e muita personalidade.
aproveito para dizer que todos os meus fios que ainda estão disponíveis se encontram à venda na LOJA ONLINE. se já não estão lá é porque já seguiram para outro lar.
ainda cá estou sim. estou bem e estamos todos bem de saúde (bem, já com umas constipações mas nada de grave); apenas com algumas mudanças na vida e com outros horários.
mas continuo por cá e experimentando novas coisas no mundo das lãs.
depois de muito hesitar (eu sabia que ía ser viciante...), estou agora a pintar algumas das lãs que fio.
nas fotografias estão mechas de shetland e pollwarth, duas fibras tão distintas mas entre as quais tenho alguma dificuldade em optar.
obrigada à Filomena que com muita paciência me foi explicando o que tem aprendido nos últimos anos.
acho que o melhor conselho que posso dar, a quem quer aprender a fiar na roda é: pegar num novelo e fazer de conta que estão a fiar; aprender a pedalar, a parar, a pedalar rápido e bem devagarinho, reduzir e aumentar a tensão para sentir o ponto, sentir o que ela puxa e o que nós queremos dar.
é uma questão de tempo, até que a luta inicial se torna numa melodia magnífica.
as aulas de fiação continuam apenas até ao final do mês de Junho mas regressam em Setembro com a possibilidade de serem online, para quem está mais longe ou preferir ficar na sua própria casa.
Ultimamente tenho actualizado os meus trabalhos no facebook. Nem toda a gente tem, e nem todos gostamos de o usar mas, é indiscutivelmente uma boa ferramenta de trabalho. É lá que actualizo as aulas, workshops e encontros de fiação e tricot.
A Raquel escreveu isto sobre o seu trabalho:
"Porque quando faço sabão não tiro fotografias porque estou a fazer sabão. Quando faço sabão estou sozinha em casa logo não há ninguém para me fotografar."
Eu podia muito bem copiar-lhe a frase fazendo apenas a adaptação: onde se lê "fazer sabão" leia-se "lavar lã".
No entanto, consegui arranjar uma assistente que documentou algumas das etapas da semana passada.
Como estou em experimentações e estudos, lavei várias porções de diferentes maneiras e com diferentes detergentes.
De seguida fui preparar essas porções de diferentes maneiras também.
Tenho agora lã cardada de duas maneiras (com cardas e com tambor) e penteada com uma simples escova para cão (as tentativas para fazer uma verdadeira escova ainda não resultaram).
Estas porções lavadas e tratadas de maneiras diferentes vão também ser fiadas com diferentes técnicas.
Vamos ver que lãs vão fazer.
Vamos ver também se todo este trabalho me vai servir para outros estudos mais aprofundados...
tenho continuado a experimentar a nossa lã. ainda não consegui um pelo que tenha sido tosquiado com cuidado, de modo a que eu possa aproveitar todo o seu comprimento e usar as melhores partes. no entanto, tenho continuado a experimentar outras técnicas de lavagem e cardação. não estava contente com o resultado da lavagem: queria um meio termo entre a adstrigência do detergente da louça e a suavidade do shampoo para bebe. procurei e encontrei a Mariana Franco que faz sabonetes naturais.
tenho estado a usar o sabonete castilhe natura e estou a gostar bastante dos resultados.
confesso que de inicio achei que estava a exagerar ao usar um sabão tão especial... mas, escolhi as melhores partes do pelo, abri-o, dei-lhe uma primeira escovadela e lavei pedaço a pedaço. ficou tão bom que nem precisa ser cardado para o fiar. acho que todo este trabalho merece um sabão especial mesmo. passem pelo Toque de Seda pois há mais produtos naturais para além dos sabonetes.
ultimamente tenho estudado sobre a cor. graças à internet tenho aprendido muito e a formação à distância pode bem ser uma aliada de quem vive longe dos centros urbanos.
o mundo colorido tem muito mais graça e como ainda não me aventurei a sério no universo das tintas, opto por fazer misturas a seco, com a ajuda de algumas ferramentas.
para quem quer brincar com as cores, nas lãs ou em outros materiais, partilho convosco estes brinquedos virtuais