13 de setembro de 2011

regresso às aulas

o ano escolar começa recheado de ácidos salpicos. bastaram as primeiras reuniões de pais para toda a frescura do Verão se evaporar
assumidamente, deito a língua de fora a quem diz (e escreve) que as escolas públicas são fantásticas! serão algumas - poucas -, e cada vez me convenço mais que a geografia é mesmo um factor importante. esteja relacionada com os grandes centros urbanos, interioridade ou influência da área de habitação, a verdade é que as escolas públicas portuguesas são muito diferentes entre si. há filhos e enteados, atrevo-me a afirmar.
por aqui, começamos com cortes onde achavamos que já não era possível cortar: redução dos horários das auxiliares, cortes nas verbas disponibilizadas, cortes nas viagens de estudo (o plural é mesmo uma maneira de dizer, pois a Junta de Freguesia apenas patrocinava uma deslocação por ano).
por outro lado, as dúvidas e incertezas não obedecem a este clima de contenção! não sabemos ainda se vamos ter funcionária que garanta o prolongamento do jardim infantil, sendo que o horário com que podemos contar é mesmo o das 9h às 15h 30 (se conhecerem algum emprego com este horário, por favor enviem-me um e-mail); nem se estes nossos filhos mais pequenos poderão continuar a aprendizagem da música e da natação, pelos vistos são matérias complementares, dispensáveis à formação das crianças.
a comunicação destas questões é deixada aos professores e a resolução dos problemas é deixada aos pais e encarregados de educação; o bicho papão, aquele grande e gordo do Agrupamento não deu a cara, talvez porque não a tenha mesmo! ficamos novamente a pensar porque o alimentamos e permitimos a sua existência...
no ano lectivo anterior, todos os pais (uns mais do que outros, claro está) se juntaram e melhoraram esta escola. este ano tem todas as salas pintadas, inclusivé os exteriores, muros e gradeamentos, tem mais um contentor-sala (sim, a minha filha tem aulas dentro de um contentor, que já existem preparados para este efeito) que permitiu que uma das salas fosse destinada apenas a servir de refeitório (que não havia), tem as janelas arranjadas e mais alguns pormenores.
todas estas obras foram possíveis, graças a um grupo de pais que mobilizou toda a comunidade, organizou festas e outras actividades para a angariação de fundos.
este ano teremos de nos organizar para manter tudo isto pois as verbas disponibilizadas mal chegam para o inevitável papel higiénico!
aqui faltam, acima de tudo, recursos humanos. Não é possível trabalhar e ter filhos se os horários do pré-escolar forem iguais aos horários das educadoras. Não é possível ficar tranquila, quando sei que há apenas uma funcionária para vigiar o recreio de 100 crianças, por muito boa e experiente que seja!
e como vai ser este ano? Como vair ser daqui para a frente? São os pais que têm de resolver o problema das escolas? Fazem sentido estas uniões de pais?
que o vosso regresso às aulas seja mais tranquilo do que o meu!
agora vou ali enganar o meu espírito, vestir o meu manto da tranquilidade para beijar os meus filhos e deixá-los na escola.

6 comentários:

  1. Os meus este ano vão para uma escola nova, espero que fiquem melhor mas ainda há muitas incertezas. A falta de recursos humanos é o eterno problema e pelos vistos é geral. Por cá a vontade dos pais tb é pouca pois só exigem, não percebem que ao ajudar a escola estão a ajudar os filhos!
    Vamos esperar para ver como corre...
    Bjs

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  2. Partilhei o seu post no meu Facebook e no Google+, espero que não se importe. Acho importante dar a conhecer mais um testemunho como este.
    Qualquer coisa, disponha.
    Obrigada, beijinho,
    Lia.

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  3. não me importo nada Lia, até agradeço.
    mas esta questão da escola faz-me ter aquele pesadelo de querermos gritar e não sair o som...
    espero em breve conseguir ficar mais óptimista.
    obrigada

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  4. ai, rosário... nem sei o que dizer. este país precisa de muitos anos para dar a volta... beijo.

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  5. Vestir o manto de tranquilidade é fundamental nos dias que correm, sem dúvida!!!
    Por aqui a ajuda da Avó é indispensável, pois com os horários das escolas e os nossos (Pais) era impossível manter a Inês numa escola pública. Fora este detalhe, muito importante, a escola é fantástica e a nova Professora muito dedicada. Durante os 3 anos de pré-primária o que mais nos agradou e satisfez foram mesmo os recursos humanos, mesmo que por vezes precários, incansáveis e humanamente maravilhosos. O material nem sempre foi o melhor e continua a não ser, mas temos de ter paciência!!! Passeios se os queremos temos de os “patrocinar”. Nem tudo é perfeito, mesmo no ensino privado, onde sempre andei, pois os meus Pais não tinham uma Avó esplêndida e disponível, por perto como nós temos a sorte de ter!!!
    Há que nos mantermos serenos e vestir o nosso "manto de tranquilidade" *_* o mais importante é os nossos Meninos gostarem da escola e sentirem-se bem lá, mesmo que às vezes não tenha as melhores condições. Infelizmente é este o País real… … …
    Um beijo do norte

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  6. parecem tempos difíceis mas fiquei contente com toda a iniciativa dos pais para o "embelezamento/funcionalidade" da vossa escola. um trabalho em equipa que mostra às nossas crianças que ficar de braços cruzados nao leva a nada. e acredita que o grito do vosso pesadelo é ouvido e sentido pela força das vossas acções. beijo grande

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