18 de junho de 2010

Alergias Alimentares - a nossa história



Li recentemente este post do blog da Rita Quintela que acompanho há anos.

Como lhe disse em comentário, a minha filha mais velha, que vai fazer 11 anos em Setembro, é e sempre foi alérgica ao ovo. Não é intolerante, é alérgica; não pode comer nem tocar em ovo - nem na gema nem na clara.

Como devem cálcular, 11 anos de alergia a um alimento dá pano para mangas ainda mais quando esse alimento faz parte dos nossos hábitos alimentares diários. Quem nunca fez uma refeição de ovos ou deu um ovinho mexido a um filho num dia em que não apetece fazer muito mais?

Descobrimos esta alergia logo na primeira vez que lhe demos ovo a comer. A reacção foi tão evidente que até para uma mãe de primeiro filho não havia dúvidas!

Desde então foi sempre a nossa preocupação maior: na escola, nas festas de anos, na casa de amigos ou familiares, sempre a mesma preocupação! Não pode tocar, não pode comer nem que seja só um bocadinho, o que contém vestígios também não serve! E mais ainda, em caso de dúvida não comer! Felizmente ela sempre compreendeu a questão e nunca, mas nunca infringiu a regra mais básica da sua vida. Nós sempre encarámos o facto com muita naturalidade e sempre cortei a conversa a quem lhe diz "coitadinha". Coitadinhos para mim são os meninos que não têm comida para comer.
Tivemos muita sorte porque na primeira escola onde andou - dos 12 meses até aos 6 anos - foram sempre extremamente rigorosos. Nesta escola haviam várias crianças alérgicas a várias coisas e todo o pessoal estava devidamente formado para lidar com estas situações. Não fosse esta primeira escola ter sido tão boa e não sei se tudo teria corrido tão bem.

Confesso que as primeiras festas de anos me assustaram um pouco, sítios com comida que eu não podia supervisionar, mas também aí tudo correu sempre bem; felizmente todos os pais se mostraram sempre bastante conscientes e cuidadosos.

Quando passou para a instrução primária tivemos o primeiro susto na escola: tinham-lhe trocado a comida com outro colega que levava de casa e ninguém confirmou que não tinha ovo. Felizmente não tinha, mas ficou a nossa desconfiança quanto à competência de quem deveria fazer esse trabalho. Na escola seguinte, passámos do susto à realidade e deram-lhe uma comida com ovo. Valeu-lhe uma ida de urgência ao hospital e todos os cuidados necessários para não entrar em choque anafilático. Felizmente não teve consequências graves e serviu seguramente para alertar todos os funcionários.
Enquanto ela foi pequena, nunca fiz em casa comidas que habitualmente se confeccionam com ovo para não a baralhar. Aquilo que a mãe cozinha é tudo aquilo que ela pode comer e tudo o que ela não conhecia não queria sequer provar. A partir do momento que começou a compreender melhor as coisas, comecei a alargar os menús. Hoje em dia faço panadinhos de perú, filetes de peixe, salame de chocolate, biscoitos, panquecas... tudo sem ovo. Já experimentei algumas receitas de bolos mas nenhuma me convenceu. O ovo serve precisamente para ligar todos os outros ingredientes e não há nada que o substitua: é como comer soja em vez de carne, pode ficar muito saborosa se for bem cozinhada mas não é o mesmo que carne... como li uma vez "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa"!
Devo também dizer que há pães de leite e bolo rei sem ovo e vendem-se em algumas lojas de produtos naturais. Já comprei mas a minha filha não gostou.

Acho que nesta história das alergias alimentares o importante é valorizar aquilo que é de facto importante: no caso dela é não comer ovo, tudo o resto é mesmo irrelevante.
Ao longo destes anos a legislação que regulamenta as embalagens dos produtos alimentares também tem sofrido algumas alterações. Quem como eu é obrigada a ler todas as letrinhas minúsculas poderá confirmá-lo. Nos primeiros anos da vida da minha filha não era obrigatório incluir um alimento na lista de ingredientes se a sua proporção fosse inferior a 3%; hoje em dia creio que é obrigatório incluir até os vestígios.

Todas estas alterações vão facilitando a vida a quem tem de ter atenção a todos os detalhes. Resta agora educar a população em geral e os empregados de restauração em particular. Quando peço um bitoque SEM ovo porque a minha filha é alérgica e não pode come-lo... por favor acreditem que não estou com medo que lhe nasçam algumas borbulhas. Não retirem o ovo que já tinha estado em cima do bife, pois o resultado é quase igual. Não estranhem quando peço para ler os rótulos de tudo aquilo que vão usar na vossa cozinha. Às vezes é complicado comer fora de casa, o ovo, tal como outros alimentos, pode não estar expressamente enunciado, um alimento que tenha maionaise já sabemos que tem ovo.

Não esquecer que quanto maior for a quantidade ingerida maior é a reacção alérgica.
Habituem-se a estas questões, há pessoas com intolerâncias e alergias alimentares graves. O bem estar e até mesmo a vida de muitas pessoas depende do nosso esforço pessoal.

3 comentários:

  1. :(
    É, de facto, uma chatice quando os outros não compreendem.
    Imagino que te devam imaginar uma comichosa quando vais a restaurantes...Se me lançam "aqueles" olhares quando peço para pisarem a sopa, ou para a arrefecerem...
    Queixo-me eu da vida porque sou intolerante a marisco e o pai é intolerante a chocolate...
    Ainda por cima, quase tudo leva ovos, agora que penso nisso...Mas suponho que já se habituaram, habituamo-nos a tudo, e que neste momento está de tal modo interiorizado no seio da vossa família que é uma coisa natural.
    Não levou então aquela vacina aos 15 meses que é à base de ovo, certo?
    Bjinhos

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  2. ía a dizer coitadinha da minha prima mas não é pois ele tem comida para comer como disseste. então o salame de chocolate sem ovo é optimo até mesmo melhor do que o que leva ovo por isso.. beijinhos

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  3. Coitada de ti e claro da filhota. Felizmente nenhum de nós tem qualquer problema, tirando uma pequena intolerância à lactose, mas que se resolve com o tipo de leite que se bebe.

    Bjs

    Mónica

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